Metodologia e fontes de dados
Como o monitoramento funciona — transparência e limitações
Esta página explica, de forma transparente, de onde vêm os dados, como são processados e quais são as limitações do monitoramento. O acompanhamento de cheias é informação de segurança pública: nada aqui substitui os alertas oficiais da Defesa Civil.
Propósito
O Nível Guaíba é um serviço independente, voluntário e gratuito que reúne, em um único lugar e em tempo quase real, o nível dos rios, a previsão de chuva e imagens de satélite das bacias do Guaíba e do Rio Uruguai, no Rio Grande do Sul. O objetivo é dar à população e à Defesa Civil uma leitura rápida da situação dos rios — sempre apontando para as fontes oficiais.
De onde vêm os dados
- Nível dos rios — ANA — Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e SGB/CPRM — Serviço Geológico do Brasil. Os níveis vêm da rede telemétrica oficial dessas instituições, coletados de forma automática e contínua. A frequência de publicação de cada estação depende do equipamento e das condições de operação.
- Previsão do tempo — modelos numéricos (NWP). ECMWF, DWD ICON e NOAA GFS, distribuídos via Open-Meteo, além de Tomorrow.io e Meteomatics conforme a cidade. Alertas meteorológicos vêm do INMET, redistribuídos pela OpenWeather One Call.
- Imagens de satélite — NOAA/NESDIS STAR (satélite GOES-19), atualizadas a cada ~10 minutos. Imagens Sentinel-2 via Copernicus (ESA).
- Precipitação observada — CEMADEN (pluviômetros municipais), além da chuva medida pelas próprias estações da ANA.
- Vazão preditiva — GloFAS v4 (Copernicus/ECMWF), em caráter experimental, para antecipação de cheias.
Proveniência e acesso aos dados brutos
Para cada cidade, o nível exibido é o mais recente disponível da estação telemétrica oficial (código ANA listado na página da cidade). O sistema:
- Consulta a fonte primária (ANA) e fallbacks configurados (SGB, outras estações da rede);
- Usa apenas leituras com nível válido (level > 0); ignora registros de chuva sem nível;
- Aplica guarda contra regressão de timestamps (nunca regride a "última medição" conhecida);
- Materializa séries em JSON público (ex.: /portoalegre.json, 7 dias, google.json com shape fixo para integração).
Todos os JSONs de dados são de acesso livre, sem autenticação. O feed /feed (JSON Feed 1.1) também está disponível para consumo por agregadores.
Como calculamos tendência e projeções
A tendência (em cm/hora) é a taxa média de variação do nível em uma janela das últimas 6 horas. Valores positivos indicam rio subindo; negativos, descendo; "estável" significa variação inferior a 0,1 cm/h.
As projeções de tempo estimado para atingir uma cota são cálculos aritméticos simples, baseados na taxa de variação observada no momento. São estimativas preliminares, válidas apenas para curtos períodos, e podem não refletir mudanças hidrológicas rápidas (chuva intensa a montante, operação de barragens, efeito de vento sul no Guaíba). Use-as apenas como referência complementar, nunca como base para decisões críticas.
Projeção estatística de pico de cheia
Durante eventos de cheia, as páginas das cidades em rios com cadeia de monitoramento completa (hoje, Rio Taquari e Rio Caí) exibem um bloco de projeção de pico — uma estimativa de até onde e quando o rio deve parar de subir. É um modelo estatístico desenvolvido pelo próprio projeto, que combina três sinais independentes:
- Curvatura da subida (ajuste parabólico). Aplicamos regressão por mínimos quadrados (polinômio de grau 2) sobre as leituras das últimas 6 e 9 horas, ancoradas na medição mais recente. Quando o rio está subindo mas desacelerando, o vértice da parábola indica o nível e o horário prováveis do pico; a faixa exibida vem da concordância entre as duas janelas. Se o rio ainda está acelerando, não existe vértice confiável — e o bloco diz isso explicitamente, em vez de inventar um número.
- Comportamento da cidade a montante. A onda de cheia percorre o rio de montante para jusante em horas (na cheia de julho/2026, por exemplo, o pico levou cerca de 3 a 4 horas entre Muçum e Lajeado). Por isso, enquanto a cidade imediatamente a montante ainda está subindo, a projeção local é tratada como piso ("pelo menos X metros") — o pico real tende a ser maior. Quando a montante desacelera ou entra em descida, o pico local está próximo, e a projeção passa a ser central.
- Vazão prevista pelo modelo hidrológico global. O dia de vazão máxima previsto pelo GloFAS (Copernicus/ECMWF) serve de contraprova: se o volume máximo ainda está à frente, o evento não terminou, mesmo que o nível local desacelere.
Salvaguardas embutidas: a projeção nunca exibe um pico abaixo do máximo já observado no evento; é recalculada a cada nova leitura; e a taxa citada no bloco é a da última hora (rotulada), que pode diferir legitimamente da tendência do topo da página (média de 6 horas) durante subidas rápidas.
O que ela não é: não é um modelo hidrodinâmico (não simula a física do escoamento, a chuva ainda por cair nem a operação de barragens) — é extrapolação estatística das medições. Em eventos com chuva em curso na bacia, o erro pode ser grande. Para previsão hidrológica oficial, consulte os boletins do SACE/SGB; para decisões de segurança, a Defesa Civil (199).
O que significam os status
- Normal — nível seguro, abaixo da cota de inundação.
- Alerta — rio subindo e/ou se aproximando da cota de inundação.
- Inundação — o nível ultrapassou a cota de inundação da cidade. Risco real de enchente.
A cota de inundação é um valor fixo, específico de cada cidade/estação, calibrado a partir do histórico oficial. Veja a definição completa no glossário.
Limitações e isenção de responsabilidade
- Os sensores telemétricos podem falhar, atrasar ou enviar leituras inconsistentes — especialmente durante eventos extremos, justamente quando o dado é mais necessário.
- Pode haver atraso entre a medição na estação e a publicação oficial do dado. A ANA realiza curadoria retroativa (leituras provisórias podem ser corrigidas horas depois).
- As cotas de inundação foram calibradas com a fonte primária (ANA); fontes alternativas podem ter pequeno deslocamento.
- Este site não emite alertas oficiais e não substitui a Defesa Civil. Em situação de risco, ligue 199 (Defesa Civil) ou 193 (Bombeiros) e siga as orientações oficiais.
Transparência: transições de status (normal ↔ alerta ↔ alagado) são registradas em log de eventos. O cálculo de status usa função pura e determinística (nível atual + cota + tendência). Qualquer um pode auditar os dados brutos via JSONs públicos ou reportar via o botão de feedback.
Quem mantém e transparência
Projeto independente, voluntário e sem fins lucrativos de agregação e apresentação de dados públicos da rede telemétrica da ANA (Agência Nacional de Águas) e SGB/CPRM (Serviço Geológico do Brasil). Não possui vínculo oficial, contrato ou parceria com esses órgãos, nem com a Defesa Civil do RS. Nossa função é apenas facilitar o acesso rápido e a visualização; todas as decisões operacionais e alertas oficiais permanecem exclusivamente com as autoridades competentes.
Para correções de dados, sugestões ou relatos de problema no sensor, use o botão de feedback (canto inferior direito). Todas as contribuições são revisadas.
Atualização desta página
Última revisão da metodologia: 22/07/2026. Para dúvidas, sugestões ou correções, use o botão de feedback no canto inferior direito desta página.